Balanço das Sondagens aponta aumento da confiança em junho. Entre os empresários, chega ao maior nível desde 2013

Por Solange Monteiro, do Rio de Janeiro

O Balanço das Sondagens de junho produzidas pelo FGV IBRE, divulgado dia 2/7, aponta um aumento da confiança de empresários e consumidores na recuperação da economia brasileira.

Conforme prévia divulgada no último Boletim Macro, o Índice de Confiança Empresarial (ICE) alcançou o maior nível desde junho de 2013, chegando aos 98,8 pontos, contra 102,3 pontos naquele ano. Aloisio Campelo, superintendente de Estatísticas Públicas do FGV IBRE, lembra que a composição desse índice ainda guarda uma heterogeneidade não desprezível, tanto setorial quanto entre as perspectivas de presente e futuro. A indústria segue liderando essa recuperação com folga, a despeito de dificuldades como escassez e alta de preços de matéria-prima. Campelo lembra que na pandemia essa atividade se beneficiou do efeito substituição devido às restrições ao consumo de serviços – levando as pessoas a investir o dinheiro de viagens e outras atividades de lazer em bens de consumo duráveis e semiduráveis. “Ainda que em vários segmentos o aumento da demanda tenha se dado com pressão de custo de insumos, estes conseguiram vender mais, mesmo que lucrando menos. Mas já está havendo uma recomposição de margens”, afirma.

Confiança sobe em todos os setores em junho
Índices de confiança setoriais, dessazonalizados

Mesmo com 10 pontos à frente do comércio, segundo setor com melhor índice de confiança, a distância entre a indústria e as demais atividades vem se encurtando desde abril. O destaque em junho foi para o índice de serviços, que teve a maior alta desde fevereiro de 2020, aproximando-se dos níveis da construção e do comércio. Apesar de ser um ótimo sinal, já que o setor foi o mais prejudicado com a crise sanitária e é grande empregador, Campelo ressalta que essa reação ainda está concentrada mais na percepção dos empresários do setor em relação ao futuro do que na situação atual. “A expectativa de que a pandemia seja controlada é acompanhada da percepção de que haverá uma demanda inicial intensa, maior do que a observada antes da pandemia, ainda que tenda a se estabilizar posteriormente”, diz Campelo.

Por enquanto, a confiança do consumidor (ICC) permanece significativamente abaixo da empresarial (80,9 em junho, quase 18 pontos atrás do ICE), mas também segue o mesmo movimento de alta. Tal como no caso do setor de serviços, essa melhora foi influenciada por um maior otimismo quanto ao futuro. Enquanto o indicador de situação atual do consumidor registrou variação de 2,9 em junho com relação a maio, para 71,6, o de expectativas subiu 5,9, para 88,3, ampliando a distância entre ambos. “Desemprego e inflação são pontos que preocupam as famílias, o que justifica que a percepção de melhora esteja concentrada no futuro”, afirma o superintendente de Estatísticas. Um dado positivo nesse sentido é um aumento da proporção de empresas prevendo aumento de quadro de pessoal – com o dobro do saldo de respostas positivas em relação a maio –, e de consumidores na esperança de encontrar mais emprego.

Setores voltam a sinalizar possibilidade de contratações
(proporção de empresas prevendo aumento do quadro de pessoal menos a proporção dos que predemm redução)


Fonte: FGV IBRE.

O alta do Indicador de Incerteza Brasil, por sua vez, chega como ponderador do otimismo trazido por esses resultados, ao registrar alta depois de duas quedas consecutivas, refletindo preocupações com a crise hídrica, o desenrolar da reforma tributária e novas tensões no campo político. “Foi uma variação não muito forte, mas indica, entre outros motivos, a percepção de que continuamos sob um ambiente político conturbado – fator que motivou parte da alta da incerteza entre 2015 e 2019”, lembra Campelo, ressaltando ainda que o Indicador de Incerteza continua em nível mais alto do que o registrado antes da pandemia – o qual, por sua vez, ainda não havia retomado o nível observado antes de 2015.

 


As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor, não refletindo necessariamente a opinião institucional da FGV.

Subir